Em um único dia assistimos 4 apresentações (só uma completa. A chuva atrapalhou um pouco) muito bacanas, de jazz orquestrado a jazz tradicional, com caracterização e tudo. Um em particular me chamou a atenção: o show de um baterista montréalais de 75 anos, Guy Nardon. Vou dizer, o cara toca pra caramba!
No encerramento, arriscamos enfrentar a multidão (tinha gente pra caramba) pra ver o Ben Harper. Mas tinha tanta gente, tanta gente, que acabamos vendo o show da 2ª fileira de telões, quase do meio da rua, depois do espaço reservado pro público... enfim, o que eu quero dizer é que foi de beeeem longe.
Mas eu tinha comentado que a gente tava fazendo um esforço danado pra não sucumbir às tentações do festival, e até que conseguimos... com uma única exceçãozinha, mas que nem fazia parte da programação e foi bem mais em conta que os ingressos dos shows badalados. Então estamos perdoados, certo? Bem...
Antes de contar toda a história preciso fazer uma breve introdução. Já tem um tempo, algumas bandas que fizeram muito sucesso no passado, e que haviam anunciado seu fim, têm voltado a tocar juntas, como foram os casos do Pink Floyd (foi só 1 show, mas voltaram), o Stone Temple Pilots, o No Doubt (que eu já comentei aqui) e tals (e nada de Dire Straits...).
Bom, devido à minha idade avançada (lembrem-se, são 3 décadas!) vários desses grupos fizeram parte da trilha sonora da minha vida. Outro deles foi o Lemonheads, que provavelmente quase nenhum de vocês devem se lembrar. Mas eles na verdade estouraram com uma versão Rock’n Roll de “Ms. Robinson”, da dupla Simon & Garfunkel.
Enfim, os caras acabaram um bocado de vezes e tavam separados fazia um tempão. Agora resolveram voltar a tocar juntos de novo e já até lançaram um disco novo. Como é que poderíamos perder essa nova reunião? Pois então, não perdemos.
Eu fiquei sabendo do show por um anúncio ridiculamente pequeno no jornal, ao lado dos classificados. Aquele dia cheguei em casa e fui logo tentar achar uma pouco mais de informação na internet (local, preços, horário...), mas só depois de muito tempo, só depois da janta, é que descobrimos que ira ser em Laval (aquela cidade “satélite” de Montréal), num teatro bem chique.
Como o show seria meio longe daqui saímos mais ou menos cedo e até que achamos o local com certa facilidade. Um teatro bonito, piso acarpetado, ambiente iluminado... nada a ver com a proposta do grupo. Não tinha nem muita gente, só um povo mais tiozão na entrada (já sei: “hahaha! Você deve ter se sentido em casa...!”. Pois é.) tomando uma cervejinha e lendo o jornal nas mesinhas de café, do lado de fora da sala, mas dava pra ouvir o som de dentro dela. Lá dentro sim tinha um povo a mais curtindo uma bandinha de hard rock bem empolgada. Era um galpãozinho tão pequeno quanto o anúncio do jornal, parecendo o Gate’s Pub lá em Bsb, com um palco montado no fundo, sem nenhum luxo. Tinha até uma galerinha sentada lá dentro, mas não haviam poltronas. Só mais tarde percebemos que estávamos no palco do teatro, com as cortinas fechadas e o espaço dos shows era só aquilo mesmo. A gente achou até que estava no lugar errado, mas o vocalista começou a agradecer o Lemonheads pela oportunidade de abrir o show pra eles e blá, blá, blá. Então estávamos no lugar certo.
Quando o show acabou, a sala esvaziou e pudemos até sentar num canto ao lado do palco enquanto os equipamentos eram trocados. Enquanto os roadies ficavam passando na nossa frente eu percebi que reconhecíamos alguns dos caras que faziam a passagem de som dos instrumentos, só não sabia o porquê (achei só que estava indo a shows demais aqui e já estava reconhecendo a galera). Quando a Carol também disse que os reconhecia também, percebemos que eram os próprios integrantes da banda que passavam no meio da galera, tropeçavam na gente e subiam no palco...! (eu sei que falar em Lemonheads não quer dizer muita coisa pra vocês, mas pra mim eles são ícones dos anos 90!). E foi dessa forma que os caras começaram o show, passando no meio do povo, como se estivessem procurando um lugar melhor.
Bom, a partir daí foi que a bizarice tomou proporções bem maiores. Não vou descrever tudo nos mínimos detalhes, mas teve quase de tudo. A banda em si toca bem pra caramba, mas a “estrela” era pra ser o vocalista, Evan Dando, que tem um histórico razoável de alcoolismo e consumo de drogas. Aquela noite parece que ele quis fazer jus aos boatos. Não dava pra entender uma palavra do que o cara cantava (ou balbuciava), não achava os acordes da guitarra, se enrolou com o fio do microfone uma pancada de vezes (uma delas foi ridícula, quando ele arremessou o mic pra longe e tentou cantar com o suporte vazio), saiu do palco umas 2 vezes e deixou a banda sozinha sem terminar a música...
Na verdade nós também saímos algumas vezes da sala porque achamos que a coisa não ia pra frente. Mas demos algumas chances pra ver se a coisa andava. Na última vez (eu acho) que ele fugiu do palco, o guitarrista anunciou que “this madness is over”. Foi quando achamos que já tinha dado o que tinha que dar e fomos pro metrô (já era meio tarde e ficamos com medo de perder a última saída).
Vou dizer, tinha tudo pra ser um dos melhores shows da minha lista, mas acabou sendo uma das maiores sandices que poderíamos ter visto... Nunca tínhamos visto alguém tão doidão na vida (a Carol lembrou de um camarada mucholoco na entrada do show do Pearl Jam em SP, que devia ter cheirado uma carreira quilométrica antes de chegar lá. Mas em cima do palco, ao vivo, foi novidade...) Ficou pela experiência e pela história pra contar, hihi!
Só para constar: O Imperador mandou um abraço!!! E o gordo resolveu fazer uma lipo num momento estratégico, chama-se, Maracofobia!!!
ResponderExcluirAbração procês! Num bom fancês: Abraçô!
Nossa mãe do céu!
ResponderExcluirBom, meus caros.
ResponderExcluirFico impressionado que vcs ainda tenham esperado que um show dos Lemonheads fosse bom...
Vcs ainda pagaram para isso?
Abraços, gente!